4.4.18

Câmbio!


Pois é...a saga continua...

Cá estou eu, 4:09 da manhã, com uma insônia que tem me acompanhado desde que retomei o livro em 01 de abril (mas juro que não é mentira). Minha cabeça está fervilhando com a manipulação das informações e com a decisão orgânica de concluir esse projeto. Mais uma vez, me amo por ter mantido os meus arquivos de pesquisas e entrevistas, assim como todos os avanços na escrita, bem organizados durante esses longos anos.

Exatamente 20 anos depois do começo de tudo isso, estou finalmente preparada, focada e disciplinada. Muito também porque minhas grandes questões pessoais estão resolvidas ou domadas; porque investi em dois importantes momentos em análises que muito me ajudaram na "reencarnação em vida" que precisei realizar; porque criei meus filhos, que já estão formados e independentes, apesar de muito jovens; porque as minhas contas estão razoavelmente em dia, apesar do caos do país; e porque definitivamente cansei de viabilizar ideias e projetos de outros. Agora quero realizar o meu.

Não por coincidência, comecei a ser procurada por fãs do Dener (como nunca antes) que me acham pelas minhas redes sociais; gente bacana que quer saber o final dessa história que ameaço contar a tanto tempo. Sintonia com o universo.

O melhor é que essa oscilante trajetória do livro só me fez entender a minha própria humanidade com suas vulnerabilidades e dificuldades a serem superadas. Superei. Não foi moleza, mas hoje percebo que era mesmo fundamental eu crescer e amadurecer antes de manipular o precioso conteúdo que tenho em mãos para revelar de forma adequada não o mito e suas incontáveis fantasias, mas principalmente o homem, o ser humano Dener; sua porção mais encantadora e iluminada. 

E no final das contas, tudo tem a sua hora mesmo. Chegou a minha, sem mais sofrimentos, dramas ou dúvidas. É só uma questão de trabalho. Que seja.



3.3.15

Dener, Mila Moreira e outras delícias.


"Com quantas roupas do Dener você vai desfilar?" - Era a pergunta que circulava entre as modelos que no início dos anos 60 desfilavam para as memoráveis coleções que a Rhodia patrocinava com a assinatura dos maiores estilistas da época, entre eles Dener. 

Modelos como Mila, Darci, Lúcia, Mailu e Inge disputavam entre elas quem seria a que defenderia mais modelos Dener, porque isso era sinônimo de prestígio no mercado. Era invariável, depois de se encontrarem para receberem peças de nomes como José Ronaldo, Guilherme Guimarães, Jorge Farré, José Nunes, Fernando José e João Miranda, tudo o que elas queriam saber é quem ia vestir mais Dener. 

Mila nunca foi manequim do Dener, como já foi dito e publicado dezenas de vezes, mas desfilou suas criações pela Rhodia, frequentou suas festas, foi amiga de amigos seus e, sobretudo, foi uma testemunha ocular e contemporânea de quem ele foi e representou.

A entrevista aconteceu pouco antes do carnaval. Mila Moreira me recebeu na sala da sua casa, bem à vontade, vestida confortavelmente com um Kaftan, sem maquiagem, sem acessórios, mas absolutamente linda e charmosa depois de mais de seis décadas de vida. Não é para qualquer uma. Amei.  

A entrevista foi uma delícia, porque tão interessante quanto o conteúdo foi conhecer a personalidade independente, moderna e positiva de Mila Moreira. Quantas boas histórias, a maioria dela mesma. Mais um presente (um dos melhores!) nessa intrigante trajetória de escrever o livro do Dener.